“A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original”
(Albert Einstein)
As experiências de quase-morte (NDE) são tão comuns que acabaram por ser incorporadas na linguagem quotidiana através de frases como "minha vida inteira passou como um flash diante dos meus olhos" e "ir para a luz".
O termo Experiência de quase-morte refere-se a um conjunto de sensações frequentemente associadas a situações de morte iminente, associadas a hipoxia cerebral, sendo que as mais divulgadas são o efeito túnel e a "experiência fora-do-corpo" (também denominada autoscopia).
O termo teve origem com o Dr. Raymond Moody através do seu livro escrito em 1975, "Vida Depois da Vida" onde este descreve as experiências de 150 pessoas que viveram o fenómeno de quase-morte.
É de ter em atenção que estes tipos de relatos sempre ocorreram através da história; Platão, em 360 a.C., escreve a lenda de um soldado chamado Er que teve uma NDE depois de ter sido morto em combate. Er descreveu sua alma deixando seu corpo e, do céu, viu-a sendo julgada junto com outras almas.
As pessoas que vivenciaram o fenómeno relatam uma série de experiências comuns entre elas, tais como um sentimento de paz interior, a sensação de flutuar acima do corpo físico, a percepção da presença de pessoas à sua volta, visão de 360º, ampliação de vários sentidos, a sensação de viajar através de um túnel intensamente iluminado (efeito túnel). A pessoa que vive a NDE, descreve o sentir ou visualizar a presença de algo que a maioria descreve como um "ser de luz", podendo esta descrição variar consoante a cultura, filosofia ou religião pessoal. É também descrito um portal entre estas duas dimensões o qual é denominado de "fronteira entre a vida e a morte" descrita muitas vezes como um campo, uma porta, uma sebe ou um lago como uma espécie de barreira. Por diversas vezes, alguns indivíduos relatam que tiveram que decidir se queriam ou não regressar à vida física.
É de ter em atenção que tanto os indivíduos praticantes de uma religião como os não crentes, descrevem a experiência com grandes semelhanças, deitando abaixo algumas vozes críticas que continuam a alegar que a fé religiosa pode ter influência neste ponto.
Os crentes pensam que as NDE provam a existência de vida após a morte, da mesma forma que os cépticos pensam que as NDE podem ser explicadas através da neuroquimica sendo o resultado de alterações no cérebro a quando da hora da “morte”.
Susan Blackmore refere que Tom Troscianko explica que a experiência da passagem do túnel escuro para a luz brilhante pode ter origem num "ruído neural" bem como num "mapeamento retino-cortical”, começando com um leve ruído neural, aumentando gradualmente, tendo como efeito uma luz no centro tornando-se esta maior e consequentemente mais próxima.
Também Blackmore atribui a sensação de paz a uma libertação de endomorfinas em resposta à situação de um extremo stress bem como atribui os ruídos à anoxia e aos efeitos nas conexões das células cerebrais.
Na sequência da multiplicação de referências bem como à multiplicação das várias investigações, a comunidade médica foi forçada a olhar para a morte sob uma nova perspectiva. Mas, apesar das diversas investigações científicas, bem como os diversos debates académicos ainda não existe unanimidade relativamente a qualquer hipótese científica.
Podemos, apesar de tudo, dizer que as NDE parecem alterar a forma de estar em relação ao mundo e aos outros, sofrendo estes mudanças comportamentais significativamente positivas, parecendo ser o principal factor de mudança a perda do medo da morte (tanatofobia), o passar a valorizar a vida e os outros, um reavaliar dos valores, ética e prioridades, tornando-se mais serenos e confiantes.


Sem comentários:
Enviar um comentário