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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Especialidade em Neuropsicologia Clínica

A Sociedade Portuguesa de Neuropsicologia vai abrir novamente o curso de especialidade em Neuropsicologia Clínica, curso este que eu frequentei e que recomendo vivamente. Terá Inicio a 19 de Outubro de 2007 com a duração de 3 anos. É composto por uma vertente teórica e por uma vertente prática (internato).

Experiências de Quase Morte


“A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original”
(Albert Einstein)

As experiências de quase-morte (NDE) são tão comuns que acabaram por ser incorporadas na linguagem quotidiana através de frases como "minha vida inteira passou como um flash diante dos meus olhos" e "ir para a luz".

O termo Experiência de quase-morte refere-se a um conjunto de sensações frequentemente associadas a situações de morte iminente, associadas a hipoxia cerebral, sendo que as mais divulgadas são o efeito túnel e a "experiência fora-do-corpo" (também denominada autoscopia).
O termo teve origem com o Dr. Raymond Moody através do seu livro escrito em 1975, "Vida Depois da Vida" onde este descreve as experiências de 150 pessoas que viveram o fenómeno de quase-morte.

É de ter em atenção que estes tipos de relatos sempre ocorreram através da história; Platão, em 360 a.C., escreve a lenda de um soldado chamado Er que teve uma NDE depois de ter sido morto em combate. Er descreveu sua alma deixando seu corpo e, do céu, viu-a sendo julgada junto com outras almas.

As pessoas que vivenciaram o fenómeno relatam uma série de experiências comuns entre elas, tais como um sentimento de paz interior, a sensação de flutuar acima do corpo físico, a percepção da presença de pessoas à sua volta, visão de 360º, ampliação de vários sentidos, a sensação de viajar através de um túnel intensamente iluminado (efeito túnel). A pessoa que vive a NDE, descreve o sentir ou visualizar a presença de algo que a maioria descreve como um "ser de luz", podendo esta descrição variar consoante a cultura, filosofia ou religião pessoal. É também descrito um portal entre estas duas dimensões o qual é denominado de "fronteira entre a vida e a morte" descrita muitas vezes como um campo, uma porta, uma sebe ou um lago como uma espécie de barreira. Por diversas vezes, alguns indivíduos relatam que tiveram que decidir se queriam ou não regressar à vida física.

É de ter em atenção que tanto os indivíduos praticantes de uma religião como os não crentes, descrevem a experiência com grandes semelhanças, deitando abaixo algumas vozes críticas que continuam a alegar que a fé religiosa pode ter influência neste ponto.

Os crentes pensam que as NDE provam a existência de vida após a morte, da mesma forma que os cépticos pensam que as NDE podem ser explicadas através da neuroquimica sendo o resultado de alterações no cérebro a quando da hora da “morte”.

Susan Blackmore refere que Tom Troscianko explica que a experiência da passagem do túnel escuro para a luz brilhante pode ter origem num "ruído neural" bem como num "mapeamento retino-cortical”, começando com um leve ruído neural, aumentando gradualmente, tendo como efeito uma luz no centro tornando-se esta maior e consequentemente mais próxima.

Também Blackmore atribui a sensação de paz a uma libertação de endomorfinas em resposta à situação de um extremo stress bem como atribui os ruídos à anoxia e aos efeitos nas conexões das células cerebrais.

Na sequência da multiplicação de referências bem como à multiplicação das várias investigações, a comunidade médica foi forçada a olhar para a morte sob uma nova perspectiva. Mas, apesar das diversas investigações científicas, bem como os diversos debates académicos ainda não existe unanimidade relativamente a qualquer hipótese científica.

Podemos, apesar de tudo, dizer que as NDE parecem alterar a forma de estar em relação ao mundo e aos outros, sofrendo estes mudanças comportamentais significativamente positivas, parecendo ser o principal factor de mudança a perda do medo da morte (tanatofobia), o passar a valorizar a vida e os outros, um reavaliar dos valores, ética e prioridades, tornando-se mais serenos e confiantes.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

A Violência não faz o meu Género

No âmbito da campanha de "Combate à Violência Contra as Mulheres, incluindo a Violência Doméstica", encontra-se patente até 30 de Novembro uma exposição de cartoons no Edifício Novo da Assembleia da Republica. Esta exposição alerta para a crescente problemática da Violência Doméstica, cujo aumento do número de casos tem sido galopante. Segundo a Associação Portuguesa de Apoio à Vitima (APAV) deu-se um aumento de 17,6% em relação ao mesmo período do ano passado, isto é, em Portugal semanalmente 112 mulheres são Vítimas de Crime. Sobre os dados que dão conta de um aumento do número de denúncias relativas a violência doméstica entre 2000 (ano que a violência doméstica passou a ser considerada crime público) e 2006, Elza Pais (presidente da CIG) diz acreditar que tal "não se deve a um aumento do número de casos, mas sim a um aumento da consciência e da informação".

De acordo com dados do Ministério da Administração Interna (MAI), em 2000 foram registados pela PSP e pela GNR 11.162 crimes relacionados com violência doméstica, tendo esse número aumentado para 20.595 em 2006. De acordo também com o MAI, foram contabilizadas, no período entre 2000 e 2006, 109.891 vítimas de violência doméstica, um registo que representa uma média de 43 vítimas por dia, na sua maioria mulheres com 25 anos ou mais. Quanto aos números relativos aos agressores, foram registados no mesmo período 109.287, maioritariamente do sexo masculino, com 25 anos ou mais e que são geralmente companheiros, ex-cônjuges e ex-companheiros das vítimas.

A campanha "Combate à Violência contra as Mulheres, incluindo a Violência Doméstica" foi apresentada em 2006 com o objectivo de consciencializar a sociedade para o facto de a violência contra as mulheres constituir uma violação dos direitos humanos. Esta está inserida no âmbito do novo Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), pretendendo estimular os Estados-membros da União Europeia para o desenvolvimento de políticas que permitam erradicar este tipo de violência, bem como dar apoio às Organizações Não Governamentais (ONG) que se dedicam à prevenção e ao combate à violência de género e à violência doméstica em particular. A 25 de Novembro comemora-se o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres e este ano assinala-se o Ano Europeu de Igualdade para Todos.

Fonte: Jornal Expresso

domingo, 11 de novembro de 2007

Do Neurónio ao Pensamento

Penso 99 vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho no silêncio – e eis que a verdade se revela!

Einstein

Desde há varias gerações que o Homem procura o significado do pensamento, colocando-o na essência da compreensão da existência humana (Feldman, 2001).

As concepções actuais sobre as relações cérebro-comportamento, provêm da fusão que se deu nos finais do século XIX de quatro tradições experimentais: neuroanatomia, neurofisiologia, neuroquimica e psicologia (Habib, 2003).

Actualmente, podemos dizer que o cérebro e o corpo se encontram indissociavelmente integrados através de circuitos bioquímicos e neuronais dirigidos reciprocamente de um para o outro (Smith, 1990).

Assim, o sistema nervoso central pode ser definido como um instrumento extremamente aperfeiçoado, que permite ao organismo interagir com o ambiente (Habib, 2003).

Aquela que é definida como a unidade estrutural e funcional do sistema nervoso denomina-se de neurónio. Estes têm como "companhia" as células gliais, sendo estas especializadas na recepção e transmissão de sinais às células adjacentes (Barker, Barasi & Neal, 2003).

Células excitáveis, especializadas na recepção de estímulos e na condução do impulso nervoso, o neurónio, podem ser encontrados no encéfalo e na medula espinal, bem como nos gânglios, diferenciando-se da maioria das células do corpo devido ao facto de no individuo adulto não passarem por divisão nem replicação (Snell, 2003).

A base de transmissão da informação ao nível do neurónio é eléctrica, isto é, consiste num impulso, através do qual a membrana se torna permeável aos iões de sódio e de potássio. Este processo corresponde à passagem no interior da membrana, de uma carga negativa, para uma carga positiva. Depois da passagem do impulso, o equilíbrio iónico é restabelecido e o potencial de repouso é restaurado. Esta é a grande maioria do tipo de transmissão de informação (Habib, 2003).

Alguns casos acontece, de a união entre neurónios ser tão estreita, que a onda de despolarização passa directamente denominando-se de sinapse eléctrica.

Os neurónios e as células de glia, têm uma maturação contínua, reforçando-se através da troca de informações, prevalecendo a lei do mais forte, já que muitos deles ao não serem utilizados desvanecem-se devido á falta de solicitação.

O cérebro é o centro de decisão do individuo, planeia, organiza, antecipa, categoriza, escolhe, infere, resolve, determina, dando origem constante a pensamentos complexos (Smith, 1990).

O cérebro forma representações neuronais através de modificações biológicas criadas por aprendizagem num circuito de neurónios, podendo estas dar origem a imagens que serão manipuladas através do pensamento
(Damásio, 2000).

O pensamento consiste na manipulação das representações mentais da informação, representações estas que nos remetem para uma categorização dos objectos, pessoas e acontecimentos que possuem propriedades em comum, sendo esta feita tendo em conta as experiências passadas do indivíduo. È este processo que nos permite pensar sobre algo, desencadeando uma compreensão mais rápida do mundo complexo.

Assim, é através do pensamento conceptual e da utilização do raciocínio, que nos é possível retirar conclusões e tomar decisões, dando-se este através do insight que é nada mais do que a consciência súbita das relações entre os vários elementos que até ai pareciam ser independentes (Feldman, 2001).

Assim, podemos dizer que o ambiente deixa a sua marca no indivíduo de diversas formas (Robert, 1994), pois "semeia um pensamento e colherás um desejo; semeia um desejo e colherás a acção; semeia a acção e colherás um hábito; semeia o hábito e colherás o carácter"(Tihamer Toth).